A nova chefe do Xbox adotou uma abordagem direta para tentar reorganizar o negócio da Microsoft. Segundo uma reportagem publicada pelo Wall Street Journal, Asha Sharma acredita que a divisão possui excelentes capacidades de desenvolvimento, mas precisava de mudanças na estratégia e na execução.
Sharma assumiu o comando do Xbox após ser surpreendida, no fim de 2025, por um convite do CEO da Microsoft, Satya Nadella. Sem experiência anterior na indústria de videogames, ela inicialmente precisou avaliar se poderia realmente contribuir para uma divisão tão diferente de seus trabalhos anteriores.
“Não era ‘eu quero fazer isso?’, mas ‘eu acredito na teoria de que posso agregar um valor único?’”, afirmou Sharma.
Asha Sharma chegou ao Xbox sem experiência em games
Antes de assumir o Xbox, Sharma havia construído sua carreira principalmente em tecnologia e negócios voltados ao consumidor. Ela também ganhou destaque por seu trabalho com desenvolvedores de inteligência artificial, apesar de não ter experiência anterior naquele mercado.
Foi justamente essa capacidade de entender um público especializado que chamou a atenção dos executivos da Microsoft. Amy Coleman, diretora de pessoas da companhia, afirmou que os líderes acreditavam que Sharma poderia aplicar uma abordagem semelhante com os jogadores.
Stan Chudnovsky, que foi chefe de Sharma na Meta, descreveu a executiva como alguém extremamente intensa e dedicada ao trabalho. Segundo ele, ela também espera o mesmo nível de comprometimento das pessoas ao seu redor.
No Xbox, essa postura rapidamente começou a aparecer em decisões difíceis.
Menos jogos e foco nas principais franquias
Em julho, Sharma anunciou uma demissão de 3200 funcionários do Xbox, cerca de 20% de sua força de trabalho, além de reduzir a quantidade de jogos produzidos pela divisão.
O WSJ afirma que 1250 dessas demissões ainda não haviam sido realizadas no momento do relatório, mantendo a tensão entre parte dos funcionários. Ao mesmo tempo, outros trabalhadores dizem apreciar a seriedade com que Sharma está tratando a tentativa de estabilizar o negócio.
Todd Howard, chefe da Bethesda, elogiou justamente essa característica da nova liderança. Segundo ele, Sharma é “excepcionalmente eficaz” em identificar os problemas e comunicar com clareza quais são as dificuldades e onde estão as oportunidades.
A estratégia representa uma mudança importante em relação à última década do Xbox. Durante a liderança de Phil Spencer, a Microsoft ampliou consideravelmente seus negócios de games por meio de aquisições e expansão de seu catálogo.
Agora, Sharma pretende reduzir o volume de produção e concentrar recursos em franquias que considera capazes de crescer ainda mais, como The Elder Scrolls e Halo.

Xbox quer competir ainda mais pelo conteúdo criado pelos jogadores
Uma das apostas de Sharma está em transformar Minecraft em um concorrente mais direto do Roblox. Para isso, a executiva quer ampliar as possibilidades de conteúdo criado pelos próprios jogadores dentro do jogo.
A estratégia também passa por tornar o Xbox uma plataforma de distribuição mais atraente para desenvolvedores independentes.
Outra frente envolve levar mais propriedades da Microsoft para além dos videogames. Sharma pretende ampliar o licenciamento de franquias do Xbox para filmes e séries de televisão, aproveitando personagens e universos que já possuem reconhecimento entre o público.
O relatório também destaca a recente aproximação do Xbox com Hideo Kojima. Recentemente, o Xbox tomou o desenvolvimento do Physint após a Sony “pular fora” do projeto, o que causou um grande alvoroço nas redes sociais. Além do desenvolvimento do jogo, o acordo também inclui parcerias para filmes e séries.
Ela responde tickets de suporte dos jogadores
Uma das iniciativas mais curiosas de Sharma, porém, não envolve grandes aquisições ou anúncios de jogos.
Para entender melhor os jogadores, a executiva passa algumas horas todos os meses respondendo diretamente a tickets enviados ao suporte do Xbox.
A experiência teria mostrado a Sharma como um problema aparentemente simples para um jogador pode se transformar em uma questão bastante complexa dentro da estrutura da empresa.
A iniciativa também reforça uma característica central de sua gestão: entender os problemas diretamente antes de tentar resolvê-los.
Sharma ainda recebeu elogios por decisões como a remoção do Copilot do Xbox que era amplamente rejeitado pelos usuários e pela implementação do sistema de conversão de mídia física em digital.
A nova chefe do Xbox, portanto, parece estar tentando atacar a divisão por diferentes lados ao mesmo tempo. Em vez de simplesmente aumentar o número de jogos, estúdios e projetos, sua estratégia envolve decidir onde o Xbox realmente precisa investir, o que pode ser reduzido e quais problemas precisam ser resolvidos diretamente com os jogadores.
O desafio agora é transformar essa “honestidade brutal” em crescimento sustentável. A Microsoft ainda precisa provar que a redução de produção e os cortes de custos podem coexistir com uma divisão capaz de lançar grandes jogos, manter seus jogadores engajados e ampliar o alcance do Xbox para além dos consoles.
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