Assassin’s Creed Black Flag Resynced: O melhor jogo de piratas da história ganha um remake de cair o queixo

A Ubisoft entregou uma experiência de pirataria robusta, imersiva e indispensável para os donos de Xbox

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A Ubisoft decidiu revisitar um dos capítulos mais icônicos e queridos de sua franquia mais famosa, e o resultado é uma viagem nostálgica que sabe exatamente onde inovar. Assassin’s Creed Black Flag Resynced chega com a missão de respeitar e melhorar o jogo original, trazendo uma das jornadas mais aclamadas da indústria para o poder dos consoles atuais. Controlar novamente Edward Kenway é uma experiência que aquece o coração dos fãs de longa data, mostrando que o protagonista continua sendo um dos piratas mais imponentes, complexos e carismáticos do mundo dos games. Agora com novas opções de customização, armas e trajes, o herói se destaca ainda mais em um mar de novidades que justificam plenamente esse retorno ao Caribe.

Um mundo aberto vivo e a evolução da atmosfera caribenha

A maior e mais perceptível evolução nesta nova versão está na construção de seu mundo aberto, que ganhou um tapa visual inacreditável. Os gráficos estão simplesmente espetaculares, com texturas em alta definição, reflexos realistas e uma iluminação que faz cada praia e floresta parecer um cartão-postal. Para deixar tudo ainda melhor, a Ubisoft implementou um novo sistema de clima dinâmico que transforma completamente a nossa relação com o mapa. Durante a jogabilidade, não é raro estar navegando tranquilamente ou explorando uma ilha a pé e, de repente, perceber o tempo mudando drasticamente. É possível ver as nuvens pesadas se formando em tempo real no horizonte, enquanto o mar vai ficando progressivamente mais nervoso e agitado.

Quando a tempestade finalmente toma conta, o jogo dá um show técnico: raios cortam o céu e atingem a água, enquanto trombas d’água gigantescas se formam ao longe, desafiando a navegação. Essa vivacidade visual combina perfeitamente com aquela que continua sendo, sem discussões, a melhor trilha sonora de toda a franquia. Os cantos marinhos ecoando enquanto a gente enfrenta a fúria da natureza criam uma imersão fantástica.

Expansão narrativa: o fim da Abstergo e o conteúdo inédito

No campo da história, a desenvolvedora tomou uma decisão drástica, corajosa e que certamente vai agradar a grande maioria dos jogadores: as sequências da Abstergo e os trechos no presente foram completamente removidos da campanha. No jogo original, essas partes quebravam o ritmo da jornada pirata e eram extremamente chatas e cortavam totalmente o clima. Para preencher essas lacunas e dar um ritmo melhor para o enredo, o game introduz cerca de 6 horas de conteúdo inédito e missões totalmente novas, que se encaixam muito bem na progressão principal.

Para não estragar a surpresa de ninguém, não vamos entrar em detalhes e nem nos aprofundar no que acontece aqui para passar longe dos spoilers. Mas o que posso adiantar é que esse novo conteúdo traz uma quantidade impressionante de novidades, incluindo missões inéditas, novas ilhas para explorar, personagens extras, desfechos e mudanças bem legais na história, além de novas canções para a tripulação.

Eu realmente fiquei surpreso com o peso dessa expansão. Mesmo que os novos personagens não esbanjem aquele carisma absurdo dos rostos conhecidos, eles ainda divertem muito. O grande trunfo aqui está na modernização da gameplay: temos novidades na movimentação, nos diálogos e, principalmente, na estrutura das missões. No jogo original, se você fosse pego em um trecho de furtividade, era falha na hora e a missão reiniciava. Agora, se você falhar no sigilo, a missão se adapta de forma orgânica, virando um combate frenético com novos diálogos contextualizados (mas mantendo o mesmo desfecho final). É uma adição simples, mas extremamente divertida, que dá muito mais liberdade e expande o game de um jeito excelente.

O redesenho do combate e o peso das remoções

Quando o assunto é combate, Assassin’s Creed Black Flag Resynced apresenta uma de suas mudanças mais profundas, dividindo espaço entre a evolução técnica e algumas escolhas que podem incomodar um pouco. O sistema de combate corporal foi totalmente reestruturado e agora lembra muito a jogabilidade tática de Assassin’s Creed Mirage. O foco mudou para a estratégia, exigindo que você aprenda a defender, esquivar e contra-atacar no momento exato.

Essa nova pegada traz uma dualidade complexa. Por um lado, o combate se tornou mais desafiador; por outro, perdeu-se aquela clássica sensação de “guerreiro invencível” do jogo original, onde era possível invadir uma base inimiga inteira e acabar com dezenas de guardas sem nenhuma dificuldade. É um sistema que gera sentimentos mistos ao longo da jornada (às vezes você gosta, às vezes sente falta do antigo), mas que ganha muitos pontos pelos novos movimentos. Agora, Edward pode dar chutes no estômago dos adversários, aplicar rasteiras, puxar alvos distantes com o gancho e dar tiros de pistola fluidos no meio dos combos, trazendo uma variedade bem legal para as lutas.

Contudo, essa modernização cobrou o seu preço na liberdade do jogador, já que algumas mecânicas clássicas foram removidas. Não é mais possível, por exemplo, pegar as armas brancas ou de fogo dos inimigos caídos no chão. Você fica restrito estritamente ao seu próprio arsenal, uma ausência que faz falta para quem gostava de improvisar no calor da batalha. Além disso, no som, embora a maior parte do elenco de dublagem original retorne para o remake, houve uma alteração perceptível na voz do aliado Adewalé. A nova interpretação acabou deixando de lado aquela potência vocal marcante e imponente que o personagem tinha no passado, gerando um estranhamento imediato para quem jogou o clássico.

Os Combates Navais ainda melhores (Estou viciado até agora)

Se os confrontos em terra firme dividem opiniões pelas mudanças, os combates navais continuam sendo o ponto mais alto de toda a experiência. O que já era excelente no passado foi aprimorado aqui de forma soberba, alcançando um nível de realismo e beleza inacreditáveis. O oceano deixa de ser um mero cenário e se torna um personagem ativo de tão vivo e imprevisível.

A Ubisoft refinou a física dos navios, os impactos das balas de canhão e o visual de destruição das embarcações inimigas, que está lindo de ver com os novos gráficos. O mundo ao redor também parece funcionar sozinho: é extremamente comum estar navegando sem rumo e presenciar batalhas massivas acontecendo espontaneamente entre frotas espanholas e inglesas no horizonte. É um convite irresistível para ignorar a campanha principal e passar horas e horas apenas cruzando os mares, caçando alvos, abordando navios e roubando materiais para evoluir o Gralha. É a pura essência da pirataria executada com maestria.

Desempenho técnico no Xbox Series

Analisando a parte técnica no Xbox, o jogo entrega resultados muito positivos, mas ainda exibe algumas arestas que precisam de polimento. No Xbox Series S, a experiência se mostrou fenomenal. A Ubisoft provou mais uma vez que sabe otimizar seus títulos para o “pequeno monstrinho”, entregando um visual fantástico através de um modo único em Fidelidade, rodando em até 1620p (via upscaling) com alvo de 30 FPS. Mesmo sem a opção de rodar a 60 quadros, o Series S mantém grande parte dos recursos de iluminação por raytracing padrão, garantindo cenários deslumbrantes.

Para os donos de Xbox Series X, as opções são maiores, todas alcançando resolução de até 2160p dinâmicos: o Modo Performance (focado em 60 FPS e raytracing padrão), o Modo Fidelidade (30 FPS e raytracing estendido) e o Modo Balanceado (que mira nos 40 FPS com raytracing estendido, exigindo uma tela de 120Hz com HDMI 2.1).

Apesar do colírio visual, o título não está livre de problemas. Durante nossos testes, nos deparamos com alguns bugs de colisão com objetos, texturas que sumiam do cenário de repente e falhas pontuais no som. São deslizes perceptíveis, mas que não chegam a estragar a experiência e que provavelmente serão corrigidos via atualizações. O que realmente destoa é a expressão facial dos NPCs secundários, que continua meio rígida e com aspecto datado, criando um forte contraste com o modelo superdetalhado e expressivo de Edward Kenway durante as cenas da história.

Vale a sua atenção, pirata? 

Sim! Com Assassin’s Creed Black Flag Resynced, a Ubisoft alcançou um feito incrível. O estúdio conseguiu pegar um jogo maravilhoso do passado, dar um banho de loja com gráficos belíssimos de nova geração, aprimorar o já lendário sistema de navegação e tornar a jornada do pirata mais famoso dos videogames ainda mais interessante. Apesar das pequenas falhas técnicas de lançamento e de decisões de combate terrestre que podem dividir os fãs mais puristas, este remake entrega uma experiência de pirataria robusta, imersiva e indispensável para os donos de Xbox.

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Afonso Souza
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