Deep Dish Dungeon: o dungeon crawler brasileiro que chegou day one no Game Pass

Confira a opinião da Central sobre o dungeon crawler brasileiro, a culinária, o co-op e se o jogo segura o efeito repetição.

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Às vezes, uma boa ideia para um jogo nasce de algo simples. No caso de Deep Dish Dungeon, tudo começou enquanto Saulo Camarotti, da Behold Studios, jogava Valheim. Em meio às explorações, veio aquele pensamento que muitos jogadores provavelmente já tiveram: e se uma dessas masmorras fosse grande e interessante o suficiente para sustentar um jogo inteiro?

A ideia não ficou só na imaginação. Ao lado da artista Carolina Baumgarten, Saulo passou os dois anos seguintes transformando aquele pensamento em um projeto próprio. O resultado é um jogo brasileiro que chegou ao Xbox em 13 de outubro, estreando diretamente no catálogo do Game Pass.

Para quem conhece a Behold Studios por Knights of Pen & Paper, talvez a primeira surpresa seja a proposta. Em vez de apostar em um RPG gigantesco, cheio de sistemas e combates complexos, a equipe decidiu seguir por um caminho mais intimista. Deep Dish Dungeon é uma aventura sobre curiosidade, preparação e descoberta. Aqui, ser um bom explorador importa muito mais do que sair distribuindo golpes em qualquer criatura que apareça pelo caminho. E essa diferença fica clara logo nas primeiras incursões.

Uma masmorra que você aprende a conhecer

A premissa é bastante direta: você é um aventureiro em busca de tesouros dentro de uma masmorra antiga, repleta de ruínas, passagens escondidas e mistérios. É possível encarar essa jornada sozinho ou acompanhado de até dois amigos, mas, independentemente da escolha, o grande desafio é aprender a entender o lugar.

Diferentemente de muitos jogos do gênero, Deep Dish Dungeon não utiliza geração procedural para construir seus cenários. Isso significa que a masmorra não muda aleatoriamente a cada partida. Tudo foi criado à mão, desde a disposição das salas até os obstáculos e segredos espalhados pelos corredores. Pode parecer um detalhe pequeno, mas essa decisão muda bastante a experiência.

Imagine encontrar uma porta trancada, perceber que ainda não tem a ferramenta necessária para abri-la e seguir por outro caminho. Algumas horas depois, você encontra o equipamento certo e se lembra daquela passagem. Ao retornar, descobre que ela leva a uma região completamente nova. É justamente nessa sensação de descoberta que o jogo encontra sua identidade.

A estrutura lembra bastante um Metroidvania, gênero conhecido por incentivar o jogador a revisitar lugares antigos depois de adquirir novas habilidades ou ferramentas. Um gancho permite alcançar pontos antes inacessíveis, enquanto um martelo ajuda a destruir obstáculos que bloqueavam determinadas passagens.

Aos poucos, aquele lugar inicialmente desconhecido começa a fazer sentido. Corredores que pareciam desconectados se encontram, atalhos aparecem e áreas que antes causavam receio se tornam familiares. Com uma campanha estimada em aproximadamente 15 horas, o jogo não tenta impressionar pelo tamanho do mundo, mas pela maneira como esse mundo vai se revelando.

Antes de explorar, é melhor comer alguma coisa

Se a exploração é o coração de Deep Dish Dungeon, a culinária certamente é um dos seus ingredientes mais interessantes. E não estamos falando de um sistema de alimentação colocado ali apenas para preencher uma barra de vida. Aqui, cozinhar faz parte da preparação para a aventura. Antes de entrar novamente na masmorra, você precisa pensar no que pretende enfrentar, quais recursos possui e que tipo de refeição pode ajudar durante a próxima expedição.

É quase como preparar a mochila antes de uma trilha. Você não sabe exatamente o que vai encontrar, mas pode tentar sair de casa mais preparado. Os ingredientes encontrados durante a exploração possuem efeitos diferentes. A mandioca, por exemplo, pode melhorar seu desempenho em combates corpo a corpo, enquanto o guaraná oferece benefícios relacionados ao vigor e à velocidade. E é nessa hora que a identidade brasileira do projeto começa a aparecer de maneira especialmente divertida.

Coxinha, pastel, bolo de fubá e pamonha estão entre as comidas presentes no jogo. Mas elas não aparecem apenas como referências simpáticas para quem cresceu no Brasil. Esses pratos fazem parte das mecânicas e influenciam diretamente a maneira como você encara os desafios.

Segundo os criadores, a equipe imaginou internamente a masmorra como um lugar localizado em algum ponto próximo à Amazônia. Essa inspiração aparece discretamente nos ingredientes, na arquitetura e na atmosfera, sem que o jogo precise explicar o tempo todo de onde vieram suas referências.

É uma forma interessante de trazer elementos da nossa cultura para um universo de fantasia sem transformar tudo em uma coleção de piadas ou referências óbvias. E, acima de tudo, a comida tem uma função importante: ela ajuda a determinar até onde você consegue chegar.

Explorar, voltar, cozinhar e tentar novamente

Boa parte do ritmo de Deep Dish Dungeon nasce de um ciclo bastante simples. Você entra na masmorra, explora os corredores, enfrenta alguns inimigos, resolve quebra-cabeças e coleta ingredientes e recursos. Quando percebe que já avançou o suficiente, retorna ao acampamento para organizar seus equipamentos, preparar novas refeições e decidir qual será o próximo objetivo.

Na expedição seguinte, talvez você consiga atravessar uma área que antes parecia perigosa demais. Ou encontre uma ferramenta que finalmente permita abrir aquela passagem esquecida. É um sistema que recompensa tanto a memória quanto a curiosidade.

Por isso, apesar de ter surgido de uma experiência com Valheim, Deep Dish Dungeon segue uma direção bem diferente. Enquanto Valheim oferece um enorme mundo aberto, com construção de bases e liberdade para criar praticamente sua própria aventura, aqui tudo gira em torno de um único ambiente cuidadosamente planejado.

Também não é aquele dungeon crawler tradicional em que o objetivo principal é derrotar centenas de inimigos, acumular experiência e melhorar atributos até se tornar praticamente invencível.

O combate está presente, naturalmente, mas funciona mais como parte dos perigos da exploração do que como a principal atração. E isso é importante para ajustar as expectativas.

Quem procura batalhas elaboradas, muitos movimentos especiais e um sistema profundo de evolução de personagem talvez não encontre aqui o que deseja. Por outro lado, quem gosta de observar o cenário, descobrir atalhos e sentir que está realmente aprendendo a dominar um ambiente pode encontrar uma experiência bastante envolvente.

Uma aventura que ganha outro sabor com amigos

Embora seja possível terminar Deep Dish Dungeon sozinho, a possibilidade de jogar cooperativamente com até três pessoas combina muito bem com sua proposta. Isso porque a exploração compartilhada transforma situações simples em pequenas histórias.

Um jogador encontra uma passagem suspeita, outro percebe um detalhe no cenário que passou despercebido, enquanto o terceiro insiste que o grupo deveria voltar ao acampamento antes de continuar. E, claro, sempre existe aquele momento em que todo mundo fica tentando resolver um quebra-cabeça cuja solução provavelmente estava bem na frente de todos.

É esse tipo de interação que ajuda a tornar o cooperativo interessante. Não existe uma disputa para descobrir quem derrotou mais inimigos ou conseguiu a melhor pontuação. A proposta é trabalhar em conjunto, compartilhar descobertas e sobreviver aos desafios da masmorra.

Outro ponto positivo é o suporte a cross-play entre Xbox e Steam. Assim, quem joga pelo console pode explorar ao lado de amigos que estão no PC, sem que todos precisem estar na mesma plataforma.

Para Saulo, formar uma comunidade em torno da experiência multiplayer é uma parte importante do projeto. E a chegada ao Game Pass Ultimate pode ajudar bastante nesse sentido, já que reduz a barreira de entrada para quem assina o serviço. Esse também é o primeiro jogo da Behold Studios a estrear no Game Pass, um marco interessante para uma produção desenvolvida por uma equipe tão pequena.

Mas nem tudo funciona com a mesma força

Deep Dish Dungeon tem uma proposta interessante, mas isso não significa que todos os seus elementos sejam igualmente marcantes. O combate, por exemplo, é relativamente simples. Ele cumpre seu papel dentro da aventura, mas dificilmente será o motivo que fará alguém continuar jogando. Quem gosta de experiências mais antigas e cadenciadas, como King’s Field, pode encontrar certa familiaridade nessa abordagem. Já os jogadores acostumados a sistemas de ação mais elaborados provavelmente sentirão falta de profundidade.

Outro aspecto que merece atenção é o ritmo. Como boa parte da progressão depende de explorar, descobrir ferramentas e retornar a lugares conhecidos, alguns momentos podem parecer lentos, especialmente quando você não sabe exatamente para onde seguir. Isso se torna ainda mais perceptível quando se joga sozinho.

No cooperativo, a companhia dos amigos ajuda a transformar o tempo gasto procurando caminhos em parte da diversão. Uma tentativa frustrada de resolver um puzzle pode render boas risadas, e encontrar uma passagem escondida vira uma pequena conquista coletiva.

Já na experiência solo, toda essa responsabilidade fica nas mãos de uma única pessoa. A sensação de isolamento combina com a atmosfera da masmorra, mas também pode tornar determinados trechos mais cansativos. Não significa que jogar sozinho seja uma escolha ruim. Apenas exige um pouco mais de paciência e disposição para aproveitar uma aventura que não tem pressa de entregar todas as respostas.

Uma identidade visual que sabe o que quer ser

No Xbox Series X, o jogo não tenta ser uma demonstração de poder gráfico. E, considerando a proposta e o tamanho da equipe, essa decisão faz sentido. O destaque está na direção artística e na atmosfera construída pelos ambientes. A masmorra tem personalidade, e boa parte da tensão vem da sensação de estar explorando um lugar desconhecido, sem saber exatamente o que existe depois da próxima porta. O jogo não precisa recorrer constantemente a sustos repentinos para transmitir essa insegurança.

Há também um cuidado importante com a acessibilidade entre plataformas. O título oferece interface e legendas em português brasileiro, suporte ao Xbox Play Anywhere, compatibilidade com jogos na nuvem e verificação para dispositivos portáteis compatíveis. São recursos que ajudam a tornar a experiência mais conveniente, especialmente para quem gosta de alternar entre diferentes maneiras de jogar.

E, para uma produção brasileira desenvolvida essencialmente por duas pessoas, é interessante ver um lançamento chegando com esse conjunto de funcionalidades.

Afinal, vale a pena jogar Deep Dish Dungeon?

A resposta depende muito do tipo de aventura que você procura. Se a sua diversão está em explorar lugares desconhecidos, encontrar segredos, resolver quebra-cabeças e sentir que cada nova ferramenta muda sua relação com o cenário, Deep Dish Dungeon tem bastante a oferecer.

O sistema de culinária também ajuda a dar personalidade à experiência. Em vez de simplesmente encontrar uma espada melhor ou ganhar alguns níveis, você precisa pensar na preparação de cada expedição. Uma refeição bem escolhida pode ser a diferença entre conseguir avançar ou precisar retornar ao acampamento mais cedo.

Por outro lado, quem espera um RPG de ação tradicional, com combates intensos, evolução constante de atributos e recompensas a cada poucos minutos, talvez se decepcione. É um jogo que exige curiosidade e aceita ser aproveitado em um ritmo mais tranquilo. Fora do serviço de assinatura, seu preço gira em torno de R$72,95. Para quem já possui o Game Pass Ultimate, a possibilidade de experimentar sem uma compra adicional torna a recomendação ainda mais fácil.

Agora, existe um DEMO, e se você quiser testar, sem compromisso, é so acessara o link aqui.

O que torna Deep Dish Dungeon interessante não é a promessa de revolucionar o gênero ou oferecer centenas de horas de conteúdo. É justamente o contrário. Saulo Camarotti e Carolina Baumgarten partiram de uma ideia relativamente pequena e construíram uma experiência em torno dela, sem tentar transformá-la em algo maior do que precisava ser.

Existe uma satisfação particular em entrar em um lugar completamente desconhecido e, depois de algumas horas, começar a reconhecer seus caminhos. Em perceber que aquela porta que parecia impossível de abrir agora está ao seu alcance. Ou em voltar ao acampamento com novos ingredientes e descobrir uma receita que pode ajudar na próxima tentativa.

São pequenas conquistas que, juntas, fazem a aventura avançar. O combate poderia oferecer mais possibilidades, e a exploração solitária nem sempre mantém o mesmo entusiasmo do cooperativo. Ainda assim, a combinação de uma masmorra feita à mão, progressão inspirada em Metroidvania e culinária brasileira dá ao jogo uma identidade própria.

No fim, Deep Dish Dungeon parece entender algo que muitos jogos esquecem: nem toda aventura precisa ser gigantesca para deixar boas lembranças. Às vezes, basta uma masmorra cheia de segredos, alguns amigos dispostos a explorar e uma boa refeição antes de sair.

Deep Dish Dungeon está disponível para Xbox Series X|S e PC, com acesso pelo Game Pass Ultimate.

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Leozera
Leozerahttps://centralxbox.com.br
Natural de São Paulo - BR, atualmente morando na Florida - USA, tem mais de 20 anos de experiência com Marketing, ama música, toca bateria e seu principal hobby são os games.
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