Connected Franchise e apresentação renovada dão fôlego à franquia, mas a jogabilidade no Xbox Series X|S avança pouco em relação ao ano anterior.

A EA Vancouver chega à edição 2026 da franquia NHL com uma proposta que soa, ao menos no papel, como a mais ambiciosa em anos. Depois de mais de uma década sem o modo, Connected Franchise retorna, permitindo ligas online com até 32 times controlados por pessoas reais. Junto dele, a apresentação recebe a reformulação mais profunda desde a chegada da série ao Xbox Series X|S, com todos os 32 arenas reconstruídos e uma nova equipe de transmissão.

NHL 27 | Central Xbox

O desafio é que a franquia NHL carrega, há anos, uma reputação de estagnação técnica que nenhuma camada de apresentação resolve sozinha. NHL 27 investe pesado em contexto e identidade, mas a pergunta que sustenta esta análise é simples: o jogo dentro da quadra de gelo acompanhou esse investimento, ou o pacote continua sendo mais sobre o entorno do que sobre a partida em si?

Gelo

O sistema ICE-Q, combinado a dados reais da NHL EDGE, é a espinha dorsal da jogabilidade em NHL 27. Cada uma das 32 equipes recebe agora um playbook próprio, substituindo o antigo modelo de três estilos genéricos compartilhados entre todos os times. Na prática, isso significa que a saída de zona do Carolina tende a fechar corredores de contra-ataque como a equipe real faz, enquanto um time como Los Angeles prioriza pressão na frente do gol para gerar rebotes. É uma camada de identidade tática que faltava à série há tempos.

Os ajustes pontuais também merecem destaque: o exploit de patinação usando L2/LT foi enfraquecido, o contato entre tacos e os pokechecks ficaram mais responsivos, e os goleiros reagem melhor em dificuldades mais altas, dificultando a repetição do mesmo gol em sequência. A inteligência artificial dos companheiros de equipe também evoluiu na leitura de jogadas de forechecking e cortina na frente do gol.

O problema está na sensação geral em quadra, que reviewers e jogadores de longa data descrevem como muito próxima da de NHL 26 e até NHL 25. As mudanças existem, mas são incrementais, do tipo que quem joga a série todos os anos nota de fato. Para quem chega agora à franquia, a experiência é ainda mais irregular: o tutorial embutido no jogo se limita a instruções genéricas como “passe” ou “chute”, muito aquém da profundidade que a própria EA oferece em outros títulos esportivos, como FC e UFC.

Modos

Connected Franchise é, sem dúvida, o carro-chefe da temporada. O modo permite criar uma liga com até 32 equipes controladas por pessoas, com calendário flexível, gestão de elenco, negociações, reivindicação de agentes livres e ferramentas de comissário. Rosters personalizados podem ser compartilhados entre PlayStation e Xbox, o que amplia bastante o alcance de uma liga fechada entre amigos.

NHL 27 | Central Xbox

A execução, no entanto, ainda carrega limitações que pesam contra o rótulo de “modo franquia completo”. A gestão de transações e algumas regras de liga seguem rígidas demais para simular com fidelidade uma temporada real, e a EA já sinaliza publicamente que trata a versão atual como ponto de partida, não como produto acabado. Be a Pro recebe conteúdo narrativo adicional, mas a espinha dorsal da experiência muda pouco. Hockey Ultimate Team ganha treinadores licenciados e acesso unificado aos 32 playbooks, enquanto o World of Chel retoma o passe de temporada gratuito, uma concessão bem-vinda para quem investe tempo no modo online competitivo.

Apresentação

Aqui está o ponto mais forte de NHL 27. Os 32 arenas foram reconstruídos com introduções autênticas, músicas de gol licenciadas de várias equipes e uma torcida que reage de forma mais dinâmica ao andamento da partida. A nova dupla de transmissão, formada por John Buccigross e Darren Pang, traz uma narração mais natural e contextual, abandonando o tom robótico que marcava edições anteriores.

O resultado é a apresentação mais convincente que a série já teve no Xbox Series X|S, aproximando a experiência do que se vê em uma transmissão real de TV. Ainda assim, animações de multidão ocasionalmente quebram essa imersão, com movimentos pouco naturais que destoam do nível de acabamento do restante do pacote visual, um contraste que fica mais evidente justamente por quanto o entorno evoluiu.

Performance

No Xbox Series X, NHL 27 se mostra estável: nossos testes não registraram quedas de quadro ou engasgos durante partidas, e o suporte a Quick Resume funciona bem para pausar sessões de carreira ou temporada sem perda de progresso. Dado que a franquia nunca foi tecnicamente exigente, esse comportamento era esperado, mas confirma que a base do jogo está sólida na plataforma mais robusta da geração.

NHL 27 | Central Xbox

Para o Xbox Series S, a EA não publicou até o fechamento desta análise especificações detalhadas de resolução dinâmica ou eventuais limitações de framerate, uma lacuna recorrente da série nessa plataforma em anos anteriores, quando texturas e nitidez de jogadores ficaram historicamente abaixo da versão de Series X. Sem uma verificação técnica independente e detalhada disponível no momento da publicação, essa informação fica em aberto, e o leitor que joga exclusivamente no Series S deve considerar essa incerteza antes da compra.

Progressão

Como acontece todo ano, NHL 27 não tem uma “duração” no sentido tradicional. O valor do jogo está na sustentação ao longo da temporada de hóquei real, com Connected Franchise puxando o engajamento de longo prazo para quem monta uma liga fixa com amigos, Be a Pro oferecendo uma progressão de carreira mais pausada, e HUT e World of Chel mantendo o ciclo competitivo de curto prazo.

NHL 27 | Central Xbox

Esse modelo funciona bem para quem já está inserido no ecossistema da franquia, mas oferece pouco gancho para prender um jogador que só experimente o título por algumas horas. A curva de aprendizado hostil, somada à sensação de jogo repetido em relação a NHL 26, torna a experiência inicial mais desafiadora do que deveria ser para conquistar público novo.

Conclusão

NHL 27 acerta onde mais precisava acertar em anos: devolve identidade às equipes dentro de partida e resgata um modo que a comunidade pedia desde a era do Xbox 360. É a apresentação mais autêntica que a série já teve, e o retorno de Connected Franchise, mesmo limitado, é um sinal de que a EA Vancouver está disposta a investir em sistemas que faltavam há tempos.

Falta, porém, o mesmo cuidado na base jogável, que segue reconhecível demais de uma edição para outra e continua pouco acolhedora para quem nunca jogou um NHL antes. O público fiel da franquia, especialmente aquele disposto a montar e manter uma liga online ao longo da temporada, encontra aqui a versão mais completa da série em anos. Quem espera uma reinvenção da jogabilidade, ou uma porta de entrada amigável ao gênero, provavelmente vai sair da partida com a sensação de já ter visto tudo isso antes.