Esta review cobre apenas a campanha e não contém spoilers.
Nunca fui um jogador assíduo de Call of Duty. Joguei alguns títulos pontualmente, quando bateu a vontade, sem acompanhar a série ano após ano. Os dois últimos antes deste eu joguei, e Black Ops 7 me decepcionou tanto na história quanto na gameplay. Por isso entrei em Call of Duty: Modern Warfare 4 sem rancor, de peito aberto, esperando que a franquia me desse um motivo para continuar por aqui. Ela deu.
O jogo é desenvolvido pela Infinity Ward, publicado pela Activision e chegou em 23 de outubro para Xbox Series X|S, PlayStation 5, PC e Nintendo Switch 2. Joguei no Xbox Series S, na dificuldade Normal, e levei cerca de 8 horas para ver os créditos. Já deixo o resumo do que vem pela frente: é uma campanha que acerta nas pessoas, nos lugares e na ação, e quem não acompanhou o ritmo foi o meu console.
A campanha de Modern Warfare 4: duas frentes de guerra e uma tensão só
A história corre em duas frentes que se alternam. Numa delas, Price está sendo caçado, como o trailer já mostrou, e quem vai atrás dele é a antiga equipe. Na outra, a trama vai para a península coreana e nos apresenta personagens novos. A parte coreana é a minha favorita, um degrau acima da outra, mas em nenhum momento fiquei contando os minutos para voltar a uma das frentes. As duas me prenderam do começo ao fim.
O trio Price, Ghost e Gaz continua sendo a espinha dorsal dos veteranos. A relação entre eles é intensa, cheia de diálogos com frases de efeito, e costuma desembocar em perseguições de tirar o fôlego. É o Call of Duty que a gente conhece, só que desta vez contado com mais atenção às pessoas por trás dos uniformes.
Já a frente coreana me pegou de um jeito que eu não esperava. Os personagens novos têm carisma de sobra, e me peguei apreensivo com o andamento da história e com o destino de alguns deles. Esse “coração”, que eu não via em Call of Duty fazia tempo, foi o que transformou uma campanha divertida em uma campanha que me importou. Depois de uma história tão viajada quanto a de Black Ops 7, ter preocupação genuína por quem está na tela foi um alívio.
No meio dessa metade existe uma missão em campo aberto, usada para apresentar o DMZ, o modo que também está no multiplayer. Dá para explorar o mapa, buscar recursos, pegar veículos e fazer infiltrações furtivas, e o jogo deixa você decidir como prosseguir. Foi uma das partes mais divertidas da campanha, justamente porque me deu a sensação de estar solto em campo, e não conduzido por um corredor. Também serve de respiro antes de o ritmo voltar a acelerar.
A campanha é mais longa que o tradicional da série e tem cara de cinema do começo ao fim. Esse tamanho me pareceu o certo para o que ela quer contar.
O reencontro de Price e Ghost
Se eu tivesse que escolher um momento para mostrar a alguém por que gostei tanto desta campanha, seria o reencontro entre Price e Ghost, e não vou entregar nada além do que cabe numa review sem spoilers.
A cena nasce de uma perseguição que o jogo monta como um filme de ação: cortes cinematográficos, cenários que mudam de repente e muita testosterona em tela. Não há tempo para respirar. Quando a poeira finalmente baixa, os dois se encontram, e o que vem depois é uma batalha intensa, cheia de socos e de frases de efeito. É o tipo de sequência que só funciona porque as horas anteriores tiveram o trabalho de fazer a gente se importar com esses personagens. Sem isso, seria só uma briga. Com isso, virou o ponto alto da campanha para mim.
Elenco, vilões e dublagem em português
Quase todos os personagens em cena estão muito bem, tanto na atuação quanto, principalmente, na dublagem. Dá para perceber que a Activision tratou o elenco em português com um carinho especial. Um detalhe que gostei bastante: nas fases na Coreia do Norte, a dublagem dá lugar ao áudio original, e o jogo passa a falar a língua do lugar. É uma escolha que respeita o cenário e aumenta a imersão.
Falar da atuação de Price e Ghost é quase redundante, porque os dois já são queridos pela franquia. Mas vale o registro: seguem em altíssimo nível e sustentam as cenas com bons diálogos.

Os vilões merecem uma menção à parte. O Arqueiro, interpretado por Mads Mikkelsen, tem um carisma maligno tão forte que às vezes você se sente mal por gostar tanto dele quando aparece em tela. Do outro lado está Ri Ju-Young, vivida por Prisca Kim, cuja frieza e maldade assustam. A personagem consegue um efeito raro, o de te fazer querer encontrá-la só para acabar com a crueldade dela.
Gameplay e som: ritmo acelerado e golpes com peso
A jogabilidade está ainda mais refinada. Há movimentações novas, animações novas e armas novas, com um gunplay extremamente gostoso de usar e um ritmo que raramente cai. Não sou do tipo que entende de armas, então não vou entrar em detalhes técnicos sobre elas. Fico com o essencial: atirar é divertido.
O que mais me agradou foi a escalada de paredes e canos. Os movimentos são rápidos e nada realistas, mas dá para sentir o peso do personagem em cada um, e isso dá uma sensação de corpo que eu aprecio.
O som tem muito a ver com isso. Os tiros têm peso, seja quando acertam inimigos, objetos ou paredes. Os golpes de faca e de soco também têm um som marcante, que dá impacto ao corpo a corpo.
O ponto fraco da jogabilidade é a física dos carros, que é péssima. As perseguições empolgam pela ação e pelas cenas, mas o veículo não passa a sensação de controle que a gente espera, e isso destoa do resto do jogo.
Desempenho no Xbox Series S: quando o jogo deixa de brilhar
Chegou a hora de falar do que me incomodou. Em ambientes muito abertos ou claros, o Series S sofre. O pior exemplo foi a perseguição de carro em Paris, que acontece durante o dia. A cena é importante para a história, mas é tão clara, com tanto serrilhado e falta de textura, que chega a cansar os olhos. A otimização ficou tão abaixo do que a cena pedia que tirou o brilho dela. E como a física dos carros também não ajuda, o momento perde duas vezes.
Além disso, vi muito pop-up de vegetação aparecendo na tela e alguns bugs durante a campanha. Um amigo que jogou no PS5 também comentou problemas técnicos, o que me faz pensar que o jogo precisa de correções e que não é só uma questão do meu console. Nada disso atrapalhou a experiência a ponto de me afastar do jogo, mas meu Series S, o monstrinho aqui de casa, passou algumas vergonhas.
Tenho esperança de que a chegada do FSR 4.1 aos consoles Xbox ajude nesse ponto. A tecnologia já foi anunciada para o Series X|S, mas ainda sem data, e depende de cada estúdio adotá-la, então por enquanto fica como torcida e não como promessa.
Multiplayer: pouco tempo, boa impressão
Esta análise é da campanha, e eu não me arrisco a avaliar o multiplayer, que não é minha especialidade. Joguei apenas 4 partidas e me diverti. Nelas, senti uma diferença grande em relação ao Black Ops 7, mas é uma impressão rápida, e não um veredito.
Vale a pena comprar Modern Warfare 4?
Se você é fã de Call of Duty, pode comprar sem medo, porque vai se divertir muito. A campanha tem ritmo, vilões marcantes, uma metade coreana com coração e um reencontro entre Price e Ghost que merece ser visto. Se, como eu, você ficou com o pé atrás depois de Black Ops 7, esta review de Modern Warfare 4 termina com um recado simples: vale dar outra chance à série.
Call of Duty: Modern Warfare 4 já está disponível para compra no Xbox Series X|S e PC através da loja oficial do Xbox por R$ 349,90.


















