Com puzzles desafiadores, uma ambientação impressionante e uma mudança completa no combate, Resonance encontra sua própria identidade sem esquecer as raízes de A Plague Tale.
A franquia A Plague Tale sempre teve na narrativa e na ambientação alguns de seus maiores pilares. Em Resonance: A Plague Tale Legacy, a Asobo Studio decide mudar consideravelmente a fórmula conhecida pelos jogadores, apresentando uma aventura que funciona como prequel e coloca Sophia no centro da história.
A mudança é perceptível logo nos primeiros momentos. Quem espera encontrar exatamente a mesma experiência dos jogos anteriores pode se surpreender, já que o foco agora está muito mais dividido entre exploração, puzzles e combate. E, apesar das diferenças, a nova proposta funciona surpreendentemente bem.
O melhor de tudo é que você não precisa ter jogado os outros títulos para aproveitar Resonance. É claro que quem conhece a franquia encontrará referências e terá uma compreensão maior de determinados acontecimentos e personagens, mas elas funcionam como um complemento e não como uma barreira para novos jogadores.
Uma história que continua sendo o coração da experiência
Se existe algo que a franquia não deixou para trás, é a importância dada à narrativa. A história de Sophia consegue despertar curiosidade desde os primeiros momentos e ganha força conforme suas visões começam a conectar diferentes períodos e acontecimentos. A mistura entre a mitologia e o universo de A Plague Tale é uma das ideias mais interessantes do jogo, principalmente porque consegue expandir o mundo sem simplesmente repetir aquilo que já conhecemos.
Evitar spoilers aqui é praticamente obrigatório. As diferentes visões e flashbacks transportam Sophia para outra realidade e criam alguns dos momentos visualmente mais impressionantes da aventura. A maneira como essas sequências se conectam à jornada da personagem é um dos grandes méritos da campanha.
Para quem jogou A Plague Tale: Requiem, existe ainda uma camada adicional de identificação, já que Sophia não é uma personagem completamente nova dentro desse universo. Conhecer seu passado e acompanhar acontecimentos que ajudam a explicar sua trajetória dá um peso diferente à experiência.
Considerando apenas a campanha principal, a experiência pode ficar em torno de 10 horas, dependendo do ritmo de cada jogador. Quem quiser explorar mais os cenários, encontrar itens colecionáveis e buscar todas as espadas terá conteúdo suficiente para estender esse tempo.

Puzzles são um dos grandes destaques
Se o combate mudou, os puzzles também ganharam muito mais importância, Resonance apresenta desafios que podem realmente fazer o jogador parar, observar o cenário e pensar antes de continuar. A manipulação de luz, símbolos e elementos do ambiente cria situações que exigem atenção e, em determinados momentos, bastante raciocínio.
Alguns desafios são consideravelmente difíceis, mas essa dificuldade funciona a favor da experiência. Resolver um puzzle depois de alguns minutos tentando entender sua lógica traz uma sensação de recompensa que combina muito bem com a proposta de exploração.
O jogo também sabe oferecer pequenas pistas quando necessário, seja através dos companheiros ou das informações disponíveis para Sophia, evitando que o jogador fique completamente abandonado diante de um desafio.
Por outro lado, existe um problema de ritmo: como os puzzles aparecem com bastante frequência, alguns conceitos acabam sendo reutilizados mais vezes do que poderiam. Em determinados trechos, a sensação de descoberta dá lugar a uma espécie de repetição, ainda assim, é uma das melhores partes de Resonance.
Um combate completamente diferente
Quem conhece A Plague Tale sabe que os jogos anteriores tinham uma relação muito forte com furtividade e sobrevivência. Em Resonance, Sophia está muito mais preparada para enfrentar seus inimigos diretamente.
O sistema é relativamente simples: atacar, bloquear, aparar, esquivar e utilizar golpes carregados fazem parte do repertório principal. Não existe uma enorme quantidade de comandos para aprender, mas a combinação dessas ações deixa os confrontos bastante satisfatórios.
A barra de vida também merece atenção. Ela não é exatamente generosa e, depois de sofrer dano, recuperar a saúde depende de conseguir eliminar um inimigo. Isso faz com que entrar em uma luta sem pensar possa rapidamente colocar Sophia em uma situação complicada.

Ao longo da campanha, novos equipamentos e habilidades são incorporados à experiência. Sophia também pode adquirir novas espadas e evoluir características por meio de uma pequena árvore de habilidades, gastando pontos obtidos durante a aventura, não é um sistema de RPG profundo, mas funciona bem dentro da proposta.
Os inimigos também apresentam alguma variedade. Existem adversários mais básicos, arqueiros e inimigos mais resistentes, que exigem mudanças na forma de abordar os confrontos. Sua companheira Leni também participa ativamente da jornada, ajudando tanto na resolução dos puzzles quanto durante determinados combates.
O combate, entretanto, não é perfeito. Depois de algumas horas, fica evidente que ele poderia ter um pouco mais de profundidade e variedade. A simplicidade funciona porque a campanha alterna constantemente entre luta, exploração e puzzles, mas dificilmente seria suficiente para sustentar o jogo sozinha.
Uma experiência visual impressionante
É particularmente impressionante perceber o nível de qualidade alcançado pela Asobo Studio em personagens, cenários e iluminação. As diferentes áreas da aventura são muito bem construídas e ajudam diretamente na sensação de estar explorando um mundo antigo cheio de mistérios.
As sequências envolvendo as visões de Sophia são especialmente bonitas e conseguem criar uma identidade visual própria para esses momentos. A direção artística também merece elogios. Mesmo quando o jogo não está tentando entregar uma grande cena cinematográfica, existe bastante cuidado na composição dos ambientes.
A trilha sonora acompanha esse trabalho muito bem. As músicas aumentam consideravelmente a imersão e ajudam a estabelecer o tom de cada situação. E até mesmo algo tão simples quanto a música do menu consegue chamar a atenção pela qualidade.
Outro ponto positivo é a presença de legendas em português do Brasil, facilitando bastante o acompanhamento da história. A dublagem original também cumpre bem seu papel e combina com o tom mais dramático da aventura.
Nem tudo é perfeito
Apesar da qualidade geral, Resonance apresenta alguns problemas técnicos, durante a experiência, foi possível perceber algumas quedas de desempenho, embora nada que tenha comprometido seriamente a jogatina. Também ocorreram situações pontuais envolvendo texturas e inimigos atravessando paredes.
São problemas que quebram um pouco a imersão, especialmente em um jogo tão preocupado com sua apresentação visual, mas aparecem de maneira pontual e não chegam a comprometer a experiência como um todo.
Também existe uma questão relacionada ao ritmo. Alguns momentos funcionam melhor do que outros, principalmente quando o jogo coloca uma sequência mais longa de puzzles ou combates seguindo uma estrutura semelhante, ainda assim, o equilíbrio geral entre esses elementos é bastante competente.
Veredito
Resonance: A Plague Tale Legacy é uma aposta ousada da Asobo Studio. Ao mudar o foco da franquia e colocar mais peso no combate, nos puzzles e na exploração, o estúdio poderia facilmente ter perdido aquilo que fazia A Plague Tale funcionar, isso não acontece, a nova aventura consegue construir uma identidade própria e, ao mesmo tempo, preservar elementos importantes da franquia, principalmente sua narrativa, atmosfera e cuidado com a ambientação.
Os puzzles são um dos grandes destaques e realmente exigem atenção, enquanto o combate, apesar de simples, é bastante satisfatório. A história também prende a atenção e a utilização da mitologia cria uma camada interessante para o universo. Os problemas técnicos são pontuais, a variedade do combate poderia ser maior e alguns puzzles acabam utilizando ideias semelhantes mais vezes do que deveriam. Ainda assim, nenhum desses pontos é suficiente para tirar o brilho da experiência.
Resonance: A Plague Tale Legacy não tenta ser apenas mais um capítulo de A Plague Tale. Ele mostra que a franquia pode explorar novos caminhos sem perder sua identidade. Para quem já conhece Sophia e os acontecimentos dos jogos anteriores, existe ainda mais para apreciar. Para quem nunca teve contato com A Plague Tale, este também é um excelente ponto de entrada.



















