A era de ouro do Call of Duty

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O assíduo jogador de Call of Duty, daqueles que acompanham fielmente a franquia por anos e anos, costuma relatar em tom nostálgico sobre o quão mágico foi “a era de ouro” do jogo. Mas afinal, qual era foi essa? Como marcar uma era de algo que sempre esteve em pico máximo de sucesso e relevância?

Eu vou tentar relembrar e explicar um pouco sobre tudo isso nesse texto, com a minha visão sobre essa que é uma de minhas franquias favoritas e mais jogadas nessa vida.

A sétima geração de consoles marcou a febre dos jogos onlines nos consoles. Sim sim, eu sei que os jogadores do Xbox clássico já passavam milhares de horas jogando Halo e outros jogos com seus amigos através da Xbox Live, mas foi na sétima geração que isso escalonou e se tornou uma tendência em todo o mercado de consoles.

Com isso, era uma tendência que jogos com focos no multijogador receberiam mais atenção do público. E foi aí que a franquia Call of Duty se firmou de vez como um gigante na indústria de jogos.

Call of Duty já era uma franquia grande e com milhares de fãs com o seu belíssimo pontapé inicial com a trilogia clássica situada na segunda guerra mundial. Mas foi em Call of Duty 4: Modern Warfare que o jogo definitivamente virou.

O quarto título numerado da franquia, lançado em 2007, não foi o primeiro a inserir um modo multijogador divertido e viciante, mas foi o primeiro a causar um “boom” no cenário. Com modos de jogos clássicos como mata-mata em equipe, capture a bandeira, cada um por si, localizar e destruir e muito mais, o jogo foi um sucesso absoluto no Xbox 360. Se tornando um enorme atrativo para as pessoas assinarem a Live Gold para jogar com os seus amigos e desconhecidos.

Nascia naquela geração a febre dos jogos online. Onde a maior parte dos lançamentos da indústria contavam com algum elemento multijogador em seu pacote, mesmo que simplista ou, muitas vezes, mal feito. Todos queriam replicar a fórmula que tornaram Halo e Call of Duty gigantes na indústria.

A Activision sabia que tinha em mãos uma galinha dos ovos de ouro e passou a focar mais da metade de seus estúdios para ser suporte de desenvolvimento para Call of Duty se tornar uma franquia que tivesse títulos anuais por um longo período, sendo assim uma verdadeira impressora de dinheiro.

E foi durante 2007 até 2013 que Call of Duty vivenciou o seu primeiro ápice. Com jogos altamente vendidos, muito bem inspirados e até diversificados. Uma sequência arrebatadora de lançamentos seguidos com a trilogia clássica de Modern Warfare e os dois primeiros Black Ops.

Todos com números estrondosos de jogadores, vendas e engajamento na internet. Um fenômeno absoluto!

Muitas das pessoas que jogavam Call of Duty nessa época e que acompanha a franquia até hoje, certamente terá algum dos cinto títulos lançados naquele período como o seu favorito. E não é pra menos, a Activision investiu muito para consolidar o jogo ainda mais no mercado. Além de contar com uma aura inspiradora de seus estúdios para que criassem aqueles que para muitos, eu me incluo nisso, possuem as melhores campanhas para um jogador, melhores mapas no multijogador, além do arsenal de armas.

Em 2013 a franquia sofreu um grande impacto com a decepção do público com Call of Duty: Ghosts. A franquia apresentava evidentes sinais de desgaste, pouquíssima inspiração e terríveis planejamentos para o modo multijogador. Ainda assim, o jogo vendeu muito bem, assim como todos os anteriores e posteriores, afinal, o nome da franquia já estava estabelecido e se vendia praticamente sozinho.

A Activision então tentou dar novos ares a sua franquia, trazendo títulos com ambientação e temática futurista. Fugindo do caos urbano cujo os títulos anteriores eram ambientados. Apostando agora em armas não convencionais, mecânicas de pulo duplo, planar e até correr pelas paredes. Algo similar ao que vimos em Titanfall.

A nova empreitada da franquia dividiu a sua base de jogadores entre os que amaram as novas mecânicas e aqueles que detestaram, alegando que aquilo não era Call of Duty.

Inevitavelmente, os números sofreram quedas consideráveis mas ainda assim eram bem vendidos se comparados com os outros lançamentos na indústria no ano. Mas já não era como antes.

A divisão em sua base de jogadores foi a porta aberta para que franquias que competiam com Call of Duty recebessem mais atenção e conseguissem fazer o seu nome na indústria.

Os estúdios ainda tentaram depois, de forma bem tímida na verdade, mesclar os lançamentos da franquia com jogos futuristas, ambientados na primeira e segunda guerra, para tentar agradar e atrair novamente os velhos jogadores. Mas já era notável que a franquia precisava de um novo gás. Um “fato novo” para voltar aos holofotes com força máxima. E ele veio.

Em 2019 o estúdio decidiu trazer uma releitura da trilogia Modern Warfare, dessa vez focada nos conflitos de nossa época. E o jogo foi um sucesso desde o seu anúncio. Causando um forte impacto na internet e atraindo todos os olhares que haviam se perdido ao longo do tempo, a Activision enfim havia conseguido. De novo.

O jogo bateu recordes e mais recordes de venda, público e crítica adoraram o retorno as raízes da franquia, a campanha era muito boa e o multijogador era essencialmente o que um Call of Duty deveria ser. Tudo deu certo aqui.

Ainda de quebra, em 2019 a franquia finalmente ingressou no universo mobile. E não preciso nem dizer que isso foi, e ainda é, um sucesso arrebatador nos celulares. Não é mesmo?

Ainda mais tarde, o jogo recebeu o modo que faria a franquia escalonar para níveis até então inimagináveis de público, alcance e lucro. Conhecíamos ali o novo modo Warzone, altamente inspirado no que havia em alta no mercado com Fortnite, Apex e PUBG. Um modo totalmente gratuito de Call of Duty.

Foi definitivamente a chave de virada para que a franquia pudesse retornar aos seus tempos de glória e, sem sombra de dúvidas, alcançar o seu maior ápice em sua história. Os títulos futuros só tiveram a missão de retocar aquilo que já funcionava bem, atualizar o Warzone e trazer uma boa campanha. E até o momento, todos fizeram isso de forma descente.

Mas, se esse é o melhor momento da franquia Call of Duty, por que ainda dizem que a era de ouro foi aquela encerrada a mais de 10 anos atrás?

O caminho trilhado pela franquia Call of Duty na geração do Xbox 360 foi a que colocou no mapa e no radar de milhões de pessoas. Foi a porta de entrada de milhares na franquia além de provavelmente ser a estreia de muitos jogadores para o mundo online dos jogos. Tudo que foi feito ali será lembrado em tom nostálgico por muitos anos e será por um bom tempo o exemplo de como Call of Duty deve ser conduzido. Se hoje a franquia está vivendo o seu ápice foi devido a entenderem que precisavam voltar as raízes e refazer o mesmo processo.

O Xbox 360 sem sombra de dúvidas foi a plataforma fundamental para a escrita da Activision em colocar Call of Duty no meio dos gigantes. Colocando o jogo no mapa. E como vocês bem sabem, a Activision está se juntando a família Xbox esse ano. Então podemos dizer o quanto é bom vermos o filho de volta a sua casa.

 

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Gui Marques
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Redator, apaixonado por filmes de terror, HQs e música ruim. Jogador e defensor do Xbox nas horas vagas.
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