A próxima geração de consoles pode estar entrando em uma fase na qual o chip sozinho não será mais suficiente para definir o desempenho de uma máquina. PS6 e Project Helix ainda não tiveram suas especificações completas reveladas, mas rumores sobre os chips das duas plataformas já começam a indicar o caminho que Sony e Microsoft podem seguir.
Um relatório recente aponta que os chips dos dois consoles teriam chegado ao chamado “tape-out”, etapa em que o projeto do silício é finalizado para seguir para fabricação e validação e que estariam prontos já em 2027. A informação não foi confirmada oficialmente pelas empresas, portanto os detalhes técnicos devem ser tratados como rumores.
Segundo essas informações, o PS6 teria um chip capaz de atingir aproximadamente 40 TFLOPS, enquanto o Project Helix chegaria a cerca de 56 TFLOPS.
O que realmente está mudando nos chips
Durante boa parte da história dos consoles, comparações de hardware eram relativamente simples. Mais poder de GPU significava mais resolução, mais efeitos e, em muitos casos, taxas de quadros maiores.
Isso ficou mais complicado na geração atual.
Hoje, tecnologias de upscaling, geração de quadros, raytracing, reconstrução de imagem e inteligência artificial conseguem alterar completamente o resultado final.
Um jogo pode renderizar internamente em uma resolução inferior e utilizar técnicas de reconstrução para entregar uma imagem final muito mais próxima de uma resolução nativa. O mesmo vale para geração de quadros e técnicas de reconstrução aplicadas ao raytracing.
É justamente por isso que os chips da próxima geração precisam ser analisados além da quantidade de unidades de processamento.
AMD está preparando uma nova geração de reconstrução
Esse ponto é especialmente importante para o Xbox porque a Microsoft já confirmou que o Project Helix será alimentado por um SoC personalizado da AMD.
A parceria vai além do fornecimento de componentes. A Microsoft afirma que está trabalhando com a AMD para desenvolver a próxima geração de renderização e simulação, utilizando tecnologias futuras do FSR. O Xbox também confirmou que o Helix terá um salto de ordem de magnitude em raytracing e inteligência integrada ao gráfico e de computação.
A AMD, por sua vez, vem avançando justamente nessa direção.
O FSR “Redstone” já reúne tecnologias baseadas em machine learning para reconstrução de imagem, geração de quadros, ray regeneration e iluminação.
Isso é importante porque a AMD está construindo uma resposta tecnológica ao avanço do DLSS da NVIDIA.
Com a chegada do DLSS 5 e seu foco em renderização neural, a disputa deixou de ser apenas sobre quem possui a GPU mais rápida. A reconstrução neural e a capacidade de utilizar IA durante a renderização passaram a ocupar um espaço cada vez maior.
A AMD já possui sua própria infraestrutura para isso. E o Xbox confirmou que o Helix será desenvolvido justamente em conjunto com a próxima geração de DirectX e FSR.

O Helix pode depender tanto da inteligência do chip quanto da força bruta
É aqui que os rumores sobre os 56 TFLOPS precisam ser colocados em perspectiva.
Se esse número estiver correto, o Helix teria uma quantidade considerável de recursos gráficos à disposição. Mas a Microsoft também está falando em raytracing avançado, inteligência integrada ao pipeline gráfico e ganhos de eficiência.
Na prática, o objetivo parece ser aproveitar melhor cada unidade de processamento.
Isso pode permitir que uma GPU não precise calcular absolutamente tudo de forma tradicional. Parte do trabalho pode ser reconstruída ou estimada por modelos de machine learning.
É uma mudança importante na filosofia de renderização.
Em vez de simplesmente aumentar a força bruta para produzir uma imagem cada vez mais pesada, o hardware pode dedicar recursos para calcular apenas aquilo que realmente precisa ser calculado e utilizar técnicas inteligentes para reconstruir o restante.
E isso pode ajudar a controlar o problema da memória
Essa mudança também conversa diretamente com outro problema que já discutimos por aqui: a crise global de memória.
A situação atual elevou os custos de RAM, armazenamento e outros componentes. A própria CEO do Xbox, Asha Sharma, afirmou que os custos de memória afetariam tanto o preço quanto a disponibilidade do Project Helix.
Por isso, qualquer avanço de eficiência pode ser relevante para a próxima geração.
Recentemente, também noticiamos uma perspectiva mais otimista para 2027. Jason Chen, CEO da Acer, afirmou que os preços dos componentes poderiam começar a cair depois de um possível pico no primeiro semestre do próximo ano. Essa previsão contrasta com perspectivas mais pessimistas de fabricantes de memória, que apontam para uma escassez prolongada.
Ainda não sabemos qual quantidade ou tipo de memória o Helix utilizará. Portanto, seria prematuro dizer que uma eventual queda nos preços resolverá o problema do console.
Mas existe uma coincidência interessante: 2027 será justamente o ano em que a Microsoft pretende começar a enviar versões alfa do hardware do Helix para desenvolvedores.
CPU também pode ser uma das maiores mudanças
Existe ainda uma peça que permanece praticamente desconhecida: a CPU.
Os consoles atuais já conseguem produzir gráficos impressionantes. O próximo salto não precisará necessariamente aparecer apenas na qualidade das texturas ou na resolução.
Uma CPU muito mais poderosa poderia permitir mais NPCs, simulações físicas complexas, destruição de ambientes, animações mais avançadas, mundos maiores e streaming de cenários mais rápido.
Esse tipo de melhoria pode ser tão importante quanto o aumento da resolução.
É possível imaginar, por exemplo, jogos de mundo aberto nos quais uma quantidade muito maior de elementos continue sendo simulada simultaneamente, sem que o console precise simplificar esses sistemas para manter o desempenho.

A próxima geração pode tornar os “modos gráficos” menos importantes
Existe ainda uma consequência interessante.
Na geração atual, muitos jogos ainda obrigam o jogador a escolher entre qualidade gráfica e desempenho. É comum encontrar modos de 30FPS com mais efeitos e resolução maior ou opções de 60FPS com alguns cortes visuais.
O objetivo da próxima geração pode ser reduzir essa troca.
Se o hardware conseguir combinar raytracing mais eficiente, renderização neural, geração de quadros e maior poder de processamento, os consoles poderão manter níveis mais altos de qualidade sem depender tanto de um modo gráfico específico para cada prioridade.
Isso não significa que 120FPS será automaticamente o padrão. Nem que todo jogo terá gráficos no máximo.
Significa apenas que o desempenho poderá depender cada vez menos de força bruta.
O verdadeiro salto pode estar na combinação
Por enquanto, os números de 40 TFLOPS para o PS6 e 56 TFLOPS para o Helix continuam sendo rumores. A Microsoft confirmou oficialmente muito menos do que isso.
Sabemos, porém, que o Helix terá um SoC AMD personalizado, será desenvolvido para a próxima geração do DirectX e FSR e terá avanços significativos em raytracing, eficiência e processamento inteligente. A Microsoft também planeja enviar versões alfa do hardware aos desenvolvedores a partir de 2027.
E a AMD já está construindo as ferramentas que podem alimentar essa nova filosofia, com o FSR Redstone combinando upscaling baseado em machine learning, geração de quadros, regeneração de raios e técnicas de iluminação neural.
Por isso, quando finalmente conhecermos o hardware completo do próximo Xbox, olhar apenas para TFLOPS provavelmente será insuficiente.
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