Gears of War: E-Day está levando o Xbox Series S a um nível de utilização de hardware que pode servir de referência para futuros jogos no console. Segundo uma análise da Digital Foundry, a The Coalition desenvolveu um sistema que utiliza o SSD do aparelho como uma espécie de camada adicional de memória para contornar uma das principais limitações do Series S: seus 10GB de memória compartilhada.
A técnica foi criada em colaboração com a equipe de plataforma do Xbox e o Advanced Technology Group da Microsoft. O objetivo é permitir que E-Day consiga apresentar uma cidade extremamente densa sem precisar reduzir drasticamente a qualidade visual para caber na memória disponível.
SSD passa a funcionar como uma camada adicional de memória
O conceito utilizado pela The Coalition não é completamente novo na computação. Normalmente, os dados utilizados por um jogo precisam estar na memória RAM para serem acessados rapidamente, enquanto o armazenamento serve para guardar informações que não estão sendo utilizadas naquele momento, a famosa paginação.
No caso de Gears of War: E-Day, a equipe criou um sistema próprio que permite utilizar o SSD NVMe como uma espécie de memória virtual para determinados dados.
Quando uma informação não está sendo utilizada, ela pode ser retirada da memória RAM e armazenada temporariamente no SSD. Quando volta a ser necessária, o sistema a transfere novamente para a memória principal.
A diferença é que a The Coalition não faz isso indiscriminadamente. O sistema identifica quais dados podem ser retirados da RAM sem prejudicar o desempenho e decide dinamicamente o que deve permanecer na memória.
Sistema consegue liberar cerca de 1GB de memória
De acordo com a análise da Digital Foundry, a técnica permite obter aproximadamente 1GB adicional de memória utilizável, utilizando alguns gigabytes do espaço disponível no SSD.
O sistema acompanha os padrões de acesso aos dados e verifica quais informações foram utilizadas mais recentemente. Dados que não foram acessados durante um quadro ou por vários quadros podem se tornar candidatos a serem enviados para o SSD.
Já os elementos utilizados frequentemente permanecem na RAM.

A velocidade do SSD do Xbox Series S é fundamental para que isso funcione. Quando o jogo precisa novamente de um dado que foi transferido para o armazenamento, ele precisa ser recuperado rapidamente o suficiente para que o jogador não perceba o processo.
E-Day possui cerca de 1,6 milhão de elementos no mundo
A necessidade dessa tecnologia fica mais clara diante da escala de Gears of War: E-Day.
Segundo a Digital Foundry, o mundo do jogo possui aproximadamente 1,6 milhão de elementos, tornando a quantidade de memória disponível um dos principais desafios durante o desenvolvimento para o Series S.
Por isso, a The Coalition estabeleceu o Series S como uma espécie de referência para o sistema de escala do jogo. O objetivo era fazer com que a experiência mantivesse sua densidade mesmo no console mais limitado da geração.
O Series S possui 10 GB de memória GDDR6 compartilhada, enquanto o Xbox Series X conta com 16 GB. Apesar da diferença, a CPU do Series S é significativamente mais poderosa.
Na prática, portanto, o principal desafio não é simplesmente a capacidade de processamento do console, mas como utilizar seus recursos de memória de maneira eficiente.
Apenas uma grande característica precisou ser cortada
A solução permitiu que a The Coalition preservasse grande parte da experiência planejada para E-Day no Series S.
Segundo a Digital Foundry, reflexos por Lumen, o sistema de reflexos baseado na tecnologia Lumen, foi a única grande característica mencionada como tendo sido removida para alcançar uma experiência considerada adequada, incluindo uma meta de 60 FPS.
Kate Rayner, diretora técnica do estúdio, explicou que utilizar o sistema de paginação de maneira excessiva também pode prejudicar o desempenho. Transferir dados entre SSD e RAM possui um custo, e o jogo ainda precisa produzir cada quadro dentro dotempo disponível.
O próprio sistema operacional também precisa de algum tempo para recuperar memória liberada, o que pode fazer com que um jogo esteja tecnicamente sem memória disponível enquanto aguarda esse processo.
Por isso, a The Coalition passou bastante tempo ajustando os parâmetros do sistema para evitar que a técnica gere impactos perceptíveis durante a gameplay.

Tecnologia pode ser usada em outros jogos
Um dos aspectos mais interessantes da solução é que ela pode não ficar restrita ao Gears of War: E-Day.
A The Coalition considera que esse tipo de abordagem pode servir como uma espécie de modelo para outros desenvolvedores trabalhando com o Xbox Series S ou outras plataformas com limitações de memória.
Segundo Rayner, outras equipes de desenvolvimento já demonstraram interesse na tecnologia.
Isso pode ser particularmente relevante para o futuro do Series S. Em vez de utilizar o SSD apenas para reduzir tempos de carregamento e fazer streaming de recursos, os desenvolvedores podem explorar o armazenamento rápido como uma forma de diminuir a pressão sobre a memória RAM.
No caso do E-Day, a abordagem permitiu que a The Coalition trabalhasse com uma cidade extremamente densa sem simplesmente criar uma versão drasticamente reduzida do mundo para o Xbox Series S.
A tecnologia não elimina as limitações de memória do console, mas oferece aos desenvolvedores uma nova ferramenta para contorná-las — e Gears of War: E-Day pode acabar sendo um dos primeiros exemplos de como essa estratégia será utilizada em larga escala.
Nossa análise já está no ar
A nossa análise do Gears of War: E-Day já está no ar e você pode clicar aqui para ler na íntegra!
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