Gears of War: E-Day é um presente para os fãs da franquia

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Lembro de estar em casa assistindo à transmissão do Xbox Games Showcase em 2024, já cansado depois de tantos trailers, e de repente a tela escurece. Quando a câmera abre e mostra um Marcus Fenix mais jovem, sem a armadura pesada de sempre, trocando socos com um Locust em desespero puro, eu senti um arrepio. Não era um Gears 6. Era algo muito maior.

A The Coalition decidiu voltar às origens de verdade. Em vez de continuar a história de Kait e JD, eles foram corajosos o suficiente para olhar para o evento mais importante e mais pedido pelos fãs desde sempre: o Dia da Emergência. A franquia Halo teve seu Reach, mostrando a queda de um planeta e o sacrifício de uma equipe, e eu sempre pensei que Gears merecia algo nessa mesma linha. Ver a The Coalition abraçar essa ideia e finalmente contar como tudo começou foi a realização de um desejo antigo da comunidade e, claro, meu também.

O trailer não mostrava a dupla icônica com a confiança de sempre. Mostrava dois soldados perdidos, apavorados, lutando contra algo que eles não entendiam. Ver Marcus e Dom juntos de novo, mas num momento em que a amizade deles ainda estava se formando, foi emocionante demais. Aquele gancho do irmão do Dom, o Carlos, a perda compartilhada… tudo isso criou mil teorias na minha cabeça na hora e permaneceu por dias, meses, anos…. Até chegarmos aqui.

Sinceramente, aquele anúncio me fez sentir que a franquia estava voltando para casa. Eles não estavam apenas fazendo um jogo novo; estavam preenchendo o vazio mais importante da lore de Gears dentro dessa mídia.

Tivemos a grandíssima honra de receber uma chave do jogo diretamente da Xbox Brasil, a quem somos profundamente gratos, para fazer esta análise da campanha em primeira mão. Como um fã apaixonado pela franquia (com direito a uma tatuagem em sua homenagem), acredito que vocês consigam imaginar o meu êxtase com esse momento. Então, vou contar um pouco da minha experiência com Gears of War: E-Day.

Gears of War E-Day é sobre o dia em que a humanidade caiu

O dia de emergência chegou

Logo após a primeira apresentação, vemos a cidade de Kalona pulsando em vida. Pessoas rindo, conversando, socializando. E no meio de tudo isso, Marcus e Dom têm uma conversa de amigos no bar. É simplesmente maravilhoso ver essa dupla de volta depois de tanto tempo. Mas não demora muito para que a ameaça dê as caras.

Eu gostei demais da forma como o jogo consegue transmitir o horror e o desespero daquela cidade com a chegada dos Locusts. Os diálogos, a histeria, a destruição no cenário… Aquelas pessoas tiveram suas vidas viradas do avesso da noite para o dia, e o jogo retrata isso com excelência. Haverá diversos momentos em que você vai olhar para as situações acontecendo ao seu redor, um novo inimigo surgindo na tela, e vai pensar: “Mano… fod*u demais!” E esse sentimento vai te acompanhar ao longo de todo o jogo.

O horror tomou conta da cidade de Kalona

Gameplay característico, refinado e extremamente satisfatório

A gameplay de Gears of War: E-Day é aquela que a gente sempre conheceu na franquia, mas agora está muito mais refinada. Simplesmente extremamente satisfatório jogar. Eles adicionaram elementos que trazem verticalidade para a experiência, como a possibilidade de pular, subir em plataformas que antes não eram acessíveis e alcançar superfícies mais altas. Isso muda completamente o ritmo do combate e dá uma vantagem estratégica a mais, que também se reflete no multiplayer. E os slides quando você está correndo? Cara, é muito legal de fazer, extremamente satisfatório.

A sensação de peso das armas, o feedback dos tiros e a brutalidade dos combates corpo a corpo criam uma gameplay extremamente satisfatória. Cada enfrentamento é visceral, e o jogo acerta em cheio ao resgatar a essência dos primeiros títulos da série. Ver o nosso protagonista coberto de sangue depois de serrar um Locust enorme ou a satisfação e limpar uma área usando a sua Gnasher, são o tipo de dopamina viciante que fazem esse jogo único.

A estrutura de gameplay de Gears of War: E-Day mescla o melhor dos dois mundos. De um lado, temos sessões lineares muito similares às da trilogia clássica, resgatando aquela essência dos jogos mais tradicionais da franquia. Do outro, temos áreas mais abertas, como vimos em Gears 5. E nessas sessões mais amplas, temos a opção de explorar Kalona, uma cidade destruída aos pedaços e sofrendo ataques dos Locust por todos os lados. No meio disso tudo, você pode simplesmente descobrir que um civil precisa de ajuda, o que desencadeia uma missão secundária. E conforme explora, vai encontrando itens e baús que trazem melhorias para a sua gameplay. É uma abordagem que recompensa a curiosidade e dá muito mais profundidade à experiência.

E o mais interessante é que você vai se sentir instigado a fazer essas atividades secundárias e paralelas à missão principal, porque agora, pela primeira vez na franquia, você pode fazer melhorias nas suas armas. Gears 5 trouxe a opção de customizar o seu companion, o Jack, e também algumas melhorias no traje, como uma espécie de especial. Mas aqui em E-Day é diferente. Aqui você encontra melhorias para as suas armas em missões que você faz e em itens que você encontra pelo caminho. E aí você pode melhorar a sua Lancer, a sua Nasher, ou até o seu traje, para, por exemplo, poder se reanimar sozinho assim que você cair, ou melhorar a taxa de tiros da sua Lancer. É um sistema que dá muito mais peso à exploração e faz cada descoberta valer a pena.

A gameplay que você já conhece, só que muito mais refinada

Narrativa humanizada e emocionante

A história de E-Day é, talvez, a mais emocionante já contada em um jogo da franquia. Os personagens estão mais humanizados, com momentos tristes, emocionantes e repletos de fanservice para os fãs de longa data. A relação entre os protagonistas é construída com cuidado, e o jogador sente o peso de cada perda e cada vitória. Além de Marcus e Dom, temos a companhia de mais dois (excelentes) personagens secundários: Lucas Reyes e Mags Carter.

Ambos os personagens trazem consigo uma bagagem pessoal muito interessante e eu gostei muito da maneira como o jogo soube trabalhar isso. Sobre o passado, as pessoas que os deixaram e suas motivações para seguir lutando. É uma narrativa bem rica e que acrescenta uma dose generosa de humanidade na jornada.

O Dia da Emergência é marcado como o dia em que a humanidade perdeu tudo. Testemunhar esse momento histórico pelos olhos dos personagens é uma experiência que vale muito a pena. E-Day não é apenas um jogo sobre a guerra contra os Locust; é sobre a resiliência humana diante do impossível. Se preparem para uma montanha russa de emoções durante a sua jornada de quase 16 horas.

Explorar pelos escombros de Kalona pode render melhorias

Três modos gráficos para a campanha

A experiência técnica de E-Day foi pensada para agradar a todos os perfis de jogadores. O título oferece dois modos gráficos principais para a campanha: o modo Desempenho, que roda a 60 frames por segundo, e o modo Qualidade, que prioriza a fidelidade visual a 30 fps. Há ainda um terceiro modo, o Equilibrado, que exige um monitor de 120 Hz e roda a 40 fps, oferecendo um meio-termo interessante entre fluidez e qualidade de imagem.

Eu joguei o jogo inteiro no modo desempenho, no meu Xbox Series S, e fiquei alternando em alguns trechos. O jogo continuou performando bem nas outras configurações e não senti nenhuma grande perda visual no que se refere aos gráficos.

Em termos gráficos, estamos diante de um dos jogos mais lindos da atual geração

Localização impecável em português

Um dos grandes acertos da produção é a localização. O jogo está totalmente localizado em português brasileiro, com legendas e dublagem em nosso idioma. As vozes são as mesmas de Gears of War: Ultimate Edition, Gears 4 e Gears 5, o que cria uma sensação de continuidade e familiaridade para os fãs da franquia.

No entanto, nem tudo é perfeito. É possível notar falhas na sincronia labial em alguns momentos: o dublador termina de falar e o boneco continua movendo a boca. É um detalhe técnico que incomoda, mas não chega a comprometer a experiência como um todo.

Lucas e Megs são excelentes adições ao esquadrão Bravo e para a narrativa do jogo

Problemas técnicos pontuais

Nem tudo são flores. Durante a campanha, foi possível notar quedas de FPS em alguns momentos, especialmente no capítulo 2 do ato 2, na seção do canteiro de obras onde era um trecho mais aberto, com dezenas de inimigos e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na tela. O jogo também crashou uma vez durante a minha experiência, o que, embora não seja um problema generalizado, merece ser mencionado.

Outro ponto que pode desagradar alguns fãs é a ausência de combates veiculares. A franquia já teve seções memoráveis em veículos, e a ausência desse tipo de combate em E-Day deixa uma pequena lacuna na experiência.

Quando perder é apenas o começo

No fim, Gears of War: E-Day não é sobre vitória. É sobre o instante exato em que a humanidade descobre o que sempre foi: frágil, mortal e insignificante diante do abismo que ela mesma ajudou a cavar. O Dia da Emergência não é apenas o dia em que os Locusts surgiram. É o dia em que a civilização percebeu que todo o seu progresso, toda a sua tecnologia, toda a sua arrogância, não passavam de uma fina camada de verniz sobre uma realidade brutal. Kalona não caiu porque era fraca. Caiu porque acreditava que nunca cairia.

Marcus e Dom não são heróis. Ainda não. São sobreviventes. E talvez seja essa a verdade mais incômoda que o jogo nos entrega: não há glória na guerra. Há apenas o silêncio ensurdecedor de quem presencia o fim e ainda assim escolhe respirar. Você não salva todo mundo. Você não impede a queda. Você chega tarde demais, e o peso disso é real. A Lancer com motosserra, a verticalidade, as melhorias nas armas, tudo isso é apenas a ferramenta. O verdadeiro horror está em perceber que, no fundo, somos todos apenas carne esperando o momento certo para ser rasgada.

Mas é aqui que a história vira a chave. Porque E-Day não é o fim. É o prólogo. É o primeiro capítulo de uma guerra que ainda vai durar anos, décadas, gerações. A humanidade perdeu aquele dia. Perdeu Kalona. Perdeu pessoas que jamais voltarão. Mas o que resta ainda está de pé. E enquanto houver alguém disposto a levantar a arma e ir atrás da ameaça, enquanto houver alguém disposto a conter o avanço antes que os últimos sobreviventes também tombem, a derrota não é definitiva.

Marcus não desiste. Dom não desiste. E é justamente por isso que eles se tornam quem se tornam. Não porque venceram naquele dia, mas porque escolheram continuar lutando depois de perder. A grandeza não nasce da vitória. Nasce da recusa em aceitar que a história termina ali.

No fim das contas, todos nós temos o nosso próprio Dia da Emergência. Aquele momento em que tudo desmorona e somos forçados a encarar o vazio. A diferença é que alguns escolhem ficar no chão. E outros escolhem se levantar. Gears of War: E-Day nos lembra que a humanidade pode perder batalhas, pode perder cidades, pode perder tudo o que ama. Mas enquanto houver alguém disposto a lutar por mais um dia, a guerra ainda não acabou.

A gente perdeu hoje. Mas amanhã a gente vai atrás.

Dom e Marcus ainda não são os herói que conhecemos

Veredito: o melhor jogo da história da The Coalition

Gears of War: E-Day é, sem exagero, o melhor jogo da história da The Coalition e um retorno épico à franquia Gears. A The Coalition conseguiu equilibrar nostalgia e inovação, entregando uma campanha marcante, uma jogabilidade satisfatória e uma narrativa que emociona.

Apesar de pequenos problemas técnicos, a experiência como um todo é excepcional. Para os fãs da franquia, é um presente. Para os novos jogadores, é uma porta de entrada perfeita para um dos universos mais ricos (e tristes) dos videogames.

Se, por algum motivo, você não se sentiu tão conectado a Gears of War 4 ou Gears 5 quanto se sentiu com a trilogia clássica, tenho o prazer de informar: Gears está de volta. A equipe soube resgatar com maestria os elementos que tornam essa franquia especial, entregando uma jogabilidade excelente que também enriquecerá (e muito) o multiplayer. Menos modernidades, mais pé no chão: o horror está aqui, a violência está aqui, e tudo isso amarrado por uma história de perda que rende momentos genuinamente emocionantes.

Se você tem a oportunidade de testemunhar a criação da Lancer com motosserra, o Dia da Emergência e o nascimento de uma lenda, não pense duas vezes. Gears of War: E-Day é imperdível.

Gears of War está de volta.

Positivo:

  • Gameplay refinada e satisfatória
  • Impressionismo gráfico
  • Retorno ao horror
  • Melhorias nas armas
  • Localização completa em português brasileiro
  • Narrativa humanizada e subtemas interessantes

Negativo:

  • Ausência de grandes variedades
  • Ausência de duelo das motosserras
  • Falhas na sincronia labial
  • Quedas de FPS em momentos específicos

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Gui Marques
Gui Marqueshttps://centralxbox.com.br
Redator, apaixonado por filmes de terror, HQs e música ruim. Jogador e defensor do Xbox nas horas vagas.
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