DOOM: The Dark Ages honra um legado de 30 anos e oferece uma das melhores experiências da franquia

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O primeiro anúncio de Doom: The Dark Ages aconteceu durante o Xbox Games Showcase 2024 foi um verdadeiro choque de adrenalina para os fãs da série. E eu me incluo nisso. A revelação trouxe um trailer repleto de ação, mostrando um Doom Slayer medieval, armado com uma clava de martelo e um… ESCUDO! Em um cenário sombrio e gótico, repleto de demônios grotescos e destruição em escala épica.  Foi um trailer curto, mas foi o suficiente para causar um alvoroço na comunidade e jogar as expectativas lá em cima.

Quase um ano se passou, e graças a Bethesda Brasil e a ID Software, eu pude jogar o jogo em antecipado. Como um fã da franquia, o meu hype estava nas alturas, assim como a incerteza; será que essa nova abordagem vai funcionar com Doom? Um escudo e baixa mobilidade serão coisas que irão afastar ou agradar a comunidade? Por isso eu vim aqui trazer algumas das minhas impressões sobre o jogo.

DOOM: The Dark Ages, diferente dos seus irmãos mais velhos, dá uma importância muito maior a sua história. E isso faz sentido, afinal, essa é a história de origem do Slayer. O primeiro passo da jornada que o levará até ser um semideus em Doom Eternal.

E por mais que toda essa história ainda fique, majoritariamente, só nas cutscenes. Ainda há alguns diálogos e documentos que enriquecem a narrativa. Eu evitarei dar spoilers e estragar a experiência de quem vai jogar o game, então não irei me aprofundar muito sobre esse tema. Mas a história aqui consegue ser densa, séria e complexa na medida certa. Fácil para que todos entendam e menos esquecível e ignorável do que os outros jogos.

O jogo possui um ritmo muito mais cadenciado, com um Slayer mais comparável a um tanque de guerra. Se você, assim como eu, tem o Doom Eternal como o seu jogo favorito da franquia, vai levar um tempo para se adaptar. Pode haver uma curva de aprendizado, assim como havia para jogar Eternal se você estivesse vindo de DOOM 2016. Mas ainda assim, há maneiras de se contornar isso, o jogo é altamente customizável e ajustável para a vontade do jogador. Eu, por exemplo, acelerei um pouco a velocidade da gameplay e diminui e tempo de aparar os golpes dos inimigos. Sim, agora nós podemos fazer isso em um Doom e isso é incrível!

Já que entramos nesse ponto, é preciso falar logo sobre a estrela da festa: o escudo! Ele introduz um novo e bem-vindo teste de timing e posicionamento, além da já alta intensidade do tiroteio – que também foi revitalizada por um arsenal impressionante que inclui uma metralhadora que esmaga crânios e cospe fragmentos de ossos e pode ser a arma de metal mais pesada já concebida – mas o escudo não está lá apenas para bloquear e desviar. Ele também pode suportar o impacto de um poderoso golpe que instantaneamente encurta a distância entre você e seu alvo, e você pode até mesmo acelerar sua lâmina giratória com dentes de serra como uma motosserra e arremessar. O escudo irá lançar bolas através de multidões de inimigos mais fracos, como os Diabretes, ou pode ser alojado diretamente na boca dos Demônios Andarilhos mais robustos para atordoá-los no lugar enquanto você elimina os lacaios menores ao redor deles. É estranho dizer isso, mas acho que é a representação mais fiel e divertida que fizeram de um Capitão América nos videogames.

As novas áreas do game são mais extensas, vastas, assim como os capítulos em si são consideravelmente maiores que dos jogos anteriores. Os mapas mostram ao jogador tudo o que tem naquela área, inclusive os tesouros e colecionáveis. E eles ficam amostra o tempo todo. É um facilitador e tanto, mesmo que tu não saiba como chegar em uma área, você sabe que tem algo escondido ali.

E por falar em mapas, esse foi uma das coisas que a ID Software felizmente arrumou aqui. Esqueça aquele mapa horrível e disfuncional dos outros jogos, dessa vez o mapa é útil e fácil de entender e se localizar. Similar até aos jogos mais antigos da série.

Passando por níveis intrincadamente projetados, ambientados em uma variedade de locais, desde pântanos sombrios e instalações sentinelas em guerra até as estepes do próprio Inferno, o Slayer empunha uma dúzia de armas que podem ser aprimoradas com ouro e gemas escondidas em cada fase. Da fiel Super Shotgun ao novo Pulverizador, que tritura crânios para transformá-los em munição, o armamento é gloriosamente bobo e deliberadamente superficial. Especialmente o Chainshot, que é como uma versão metálica de uma luva de boxe e nunca deixa de ser divertido. Para um jogo com uma história tão sombria e séria, a id Software consegue uma dose de comédia improvável neste curativo encharcado de sangue, e quem leva isso a sério simplesmente não está prestando atenção.

É sombrio e deslumbrante, com uma escala que costuma ser de tirar o fôlego quando pausa longa o suficiente para que você a absorva. Na maior parte do tempo, você estará em espaços enormes e abertos, enfrentando dezenas de demônios forrageiros e punhados de brutamontes enormes que exigem um pouco mais de esforço para derrubar. Há pouco aqui que pareça cerebral, e além de aparar qualquer coisa verde e clicar no analógico quando um inimigo brilha em roxo, Doom: The Dark Ages exige pouco de você além do já mencionado rasgar e/ou dilacerar.

Às vezes, o Doom Slayer literalmente até supera a si mesmo. Desta vez, você terá regularmente a oportunidade de montar um dragão e envergonhar seus oponentes nas costas dele. A jogabilidade ainda gira em torno de atirar e desviar de projéteis, mas a perspectiva celestial proporciona uma lufada de ar fresco e as perseguições em alta velocidade com naves inimigas são uma adição divertida à jogabilidade. Você também pode sentar-se regularmente em um enorme mecha, com o qual você pode responder à maior escória de Satanás com punho de ferro. O mecha — que se parece muito com os Jaegers de Círculo de Fogo, de Guillermo Del Toro — oferece combate em uma escala diferente… mas, depois que você se acostuma com a novidade, verá que as lutas resultantes são bem simples por natureza. Bom como mudança, decepcionante em termos de profundidade.

A ID Software implementou o duplicador e oferece excelente custo-benefício. Com 22 níveis, você terá quase o dobro de conteúdo dos dois jogos anteriores. Quando você considera que a maioria dos níveis parece muito maior do que você está acostumado — com vários objetivos para cumprir em qualquer ordem e muitos itens colecionáveis ​​— você sabe que DOOM: The Dark Ages definitivamente merece uma compra. Mas depois de um tempo tudo começa a parecer mais do mesmo. Você explode, destrói e corta em diversos ambientes como sempre… mas todos nós já vimos isso antes. Faz sentido também. Um treinador de futebol também deixa seus jogadores mais bem-sucedidos ficarem em campo. No entanto, enquanto DOOM Eternal pareceu um grande salto em relação a DOOM (2016), DOOM: The Dark Ages é mais um divertido passo para o lado.

DOOM: The Dark Ages consegue trazer mais uma dose de inovação para uma franquia que nunca se cansou de inovar e revolucionar. Entregando uma longa e excelente campanha, um novo arsenal de armas e uma história muito bem contada, a ID Software prometeu e entregou muito mais.

Esse não é apenas o maior Doom já feito, mas posso afirmar que ele é o melhor da franquia.

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Gui Marques
Gui Marqueshttps://centralxbox.com.br
Redator, apaixonado por filmes de terror, HQs e música ruim. Jogador e defensor do Xbox nas horas vagas.
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